19/01/2010

Amor Livre de Preconceitos

Escrito por : Trabalhinhos Blog | Hora : 22:07 | Tag :
Do site Gerando Amor:

A verdadeira paternidade e maternidade nasce do desejo de amar e de ser amado. Fundamenta-se na firme decisão em transformar uma criança em filho. E isso independe da origem da filiação, se biológica ou por adoção. O amor entre pais e filhos transcende a consangüinidade e se solidifica no dia-a-dia da convivência familiar, no entrelaçamento dos afetos e dos sonhos. É nesse sentido que cabe dizer que todos os filhos precisam ser adotados por seus pais no cotidiano de suas vidas.
Movidos por este desejo de ser pai e de ser mãe e pela crença na adoção enquanto um caminho para concretizar este desejo, um jovem casal me procurou no Fórum em março de 2005. Já tinham começado a participar do Grupo Gerando Amor e queriam ter um filho, pouco importando a idade, o sexo, a cor ou a condição de saúde da criança.

Cerca de dois meses depois da habilitação para a adoção, eles conheceram sua primeira filha, Camila. Ela tinha um ano e dois meses, sofria de uma doença grave (miocardiopatia dilatada) e o encontro aconteceu na UTI do hospital de Itajaí, onde estava internada. “Foi amor à primeira vista”, dizem eles. Apesar de alertados pelos médicos sobre a situação de saúde da criança, estavam decididos: ela era a filha que desejavam.

A adoção de Camila trouxe muita alegria para toda a família. Ela surpreendia a cada dia com sorrisos, expressões, pequenos progressos e era extremamente afetuosa… parecia querer aproveitar ao máximo o amor e o afeto daqueles pais, feito anjos nesta terra. Ela partiu depois de 35 dias com a nova família, tempo suficiente para experimentar o quanto é bom ter uma família, ser amada, ser para sempre filha no coração de seus pais, seus verdadeiros pais.

Fui testemunha da dor vivida por estes pais, pela família e amigos com a morte de Camila. Fui testemunha também do amor infinito, incondicional e gratuito com que se dedicaram à pequena Camila, transformando-a em filha amada. O processo de adoção ainda estava em andamento, mas eles fizeram questão de dar continuidade para assegurar através do ato jurídico o que pelo afeto já era realidade.

Meses depois, Fernando e Lílian me procuraram porque queriam se cadastrar novamente para adoção. Num primeiro momento, fiquei preocupada por ser ainda muito recente a perda de Camila. Mas durante a entrevista, pude perceber que eles tinham clareza de que um segundo filho não viria para ocupar o lugar de Camila em seus corações, pois um filho não substitui o outro.
Queriam ser pais novamente, de um outro filho, com outra história, com o seu próprio lugar, pois tinham muito amor para partilhar e sabiam que tinham outras crianças precisando de uma família. Assim como da primeira vez, não fizeram exigências quanto ao perfil da criança.
Não demorou muito e chegou a segunda filha do casal, Maria Eduarda, com um ano e cinco meses. Ela é uma menina linda, meiga e trouxe muita alegria para os seus pais e para toda a família. Eles foram chamados para a adoção na Comarca de São José e conheceram a filha no abrigo daquela cidade, onde viveu desde recém-nascida. Tinha sido preterida por outros casais em função de sua cor. No seu histórico constava que ela tinha saúde frágil e vivia doente.

Mas, para surpresa de todos, tem boa saúde desde que chegou. Também desta vez, pude testemunhar a alegria, o brilho nos olhos e o coração aberto com que receberam Maria Eduarda. A adaptação foi fácil, pois ela sempre teve muito carinho e atenção, sendo amada e desejada pelos seus pais. Quanto ao preconceito racial, ainda presente em nossa sociedade, eles tiram de letra. Demonstram segurança, orgulho e felicidade em serem pais de Maria Eduarda. Quando alguém pergunta “quem é essa menina”, eles respondem “é nossa Filha” com a maior naturalidade, com a mesma naturalidade com que conversam com a filha sobre a sua história de adoção e sobre a sua irmã Camila. A participação no Grupo Gerando Amor tem feito parte da vida da família e é para todos nós um momento de encontro.

Eles vivem o amor mais intenso que um pai e uma mãe podem sentir por um filho. É isso que a adoção nos ensina, é isso que Fernando e Lílian e tantos outros pais e mães nos ensinam: que é possível ser pai e mãe sem ser o genitor, que isso não apaga a importância da origem e que é preciso mudar o olhar da sociedade. Todos os filhos, genéticos ou por adoção, precisam ser verdadeiramente reconhecidos, aceitos e amados na condição de filhos. É o amor, e só o amor, que transforma um homem em pai e uma mulher em mãe.

Depoimento: Isabel Fuck Bittencourt
assistente social do Fórum e membro do Grupo Gerando Amor
(Matéria publicada como Destaque no Jornal Evolução de São Bento do Sul - Caderno do Schopping Zipperer, no dia 09 de agosto de 2008)

Autor:
Organização Gerando Amor

google+

linkedin

O blog Trabalhinhos nunca se esquece de dar os créditos de cada trabalho aqui apresentado, pois valoriza o empenho de cada criador de conteúdo da web. Por isso, se você deseja publicar algo desse blog, faça o mesmo. Agradecemos a sua compreensão e a valorização do nosso trabalho.

Google+ Followers